Já ouviu falar em intestino curto?

Postado: 07/05/2020

Essa síndrome, associada a procedimentos como a cirurgia bariátrica, pode comprometer a qualidade de vida. Mas existem ajustes para contorná-la

Má absorção de nutrientes, perda de peso, dor abdominal e diarreias frequentes estão entre as manifestações da síndrome do intestino curto, condição que pode ser resultado de defeitos congênitos ou cirurgias para remoção de um trecho do intestino— entram aqui desde procedimentos para pessoas com doenças inflamatórias quanto aqueles destinados a indivíduos obesos. Como o nome sugere, o problema é marcado pela redução do tamanho efetivo do intestino, o que pode acarretar severas deficiências nutricionais e abalar a disposição e a qualidade de vida

Essa síndrome é uma das principais condições por trás de insuficiência e falência intestinal. Ela costuma ser consequência da remoção cirúrgica do intestino, de defeitos congênitos ou de doenças associadas à má absorção de nutrientes. É caracterizada pela inabilidade de o organismo manter o balanço de energia, fluidos, eletrólitos e micronutrientes diante de uma dieta considerada normal. 

Felizmente, o órgão é equipado com uma grande reserva funcional. Por isso, indivíduos submetidos a cirurgias de remoção de menos de 50% do comprimento original do intestino até conseguem compensar essa perda. No entanto, a retirada de mais de 75% do órgão em geral pede modificações na dieta e, em casos severos, o suporte parcial ou total com nutrição parenteral [que depende de sondas] e uso de fluidos intravenosos. 

A cirurgia bariátrica é um tratamento efetivo para casos graves de obesidade. Mas alguns desses procedimentos podem resultar no desenvolvimento de deficiências gastrointestinais, inclusive com a necessidade de fazer uso da nutrição parenteral. Isso acontece quando há uma catastrófica perda de uma porção do intestino. Às vezes, os pacientes sofrem complicações como o aparecimento de fístulas ou obstrução do intestino. Outros experimentam desordens na motilidade do órgão [a capacidade de ele realizar suas contrações] e desenvolvem má absorção de nutrientes. Esses são alguns dos eventos que podem levar ao que chamamos de síndrome do intestino curto após a cirurgia bariátrica. 

As necessidades nutricionais dos pacientes com intestino curto devem ser avaliadas individualmente. Em geral, podemos dizer que precisam ser fornecidas calorias suficientes para um adulto saudável — cerca de 20 a 35 calorias por quilo de peso. Os carboidratos, de preferência os complexos, devem compor de 50 a 60% das necessidades calóricas totais e podem vir na forma de massas, pães, batata e cereais. Indicamos limitar a ingestão de açúcares simples, como os de doces, bolos, tortas, geleias e bebidas industrializadas. Entre 20 e 30% da dieta deve ser constituída de proteínas. Já a gordura é restrita a entre 20 e 30% se o cólon [porção do intestino grosso] está presente. Se essa parte do órgão foi removida, pode-se ingerir até 40% de gordura no total de calorias. Também é importante tomar bebidas isotônicas para manter uma boa hidratação — em alguns casos, é preciso utilizar algum tipo de solução especial. 

Todos os pacientes com a síndrome terão de receber nutrição parenteral no período logo após a cirurgia. Algumas pessoas conseguem ficar independentes desse suporte à medida que o intestino se adapta e ganha maior poder de absorção. Outras podem necessitar de apoio parcial ou total da nutrição parenteral em longo prazo para manter um bom estado nutricional e de hidratação. A nutrição enteral [sondas que permitem que o alimento passe pelo sistema digestivo] é, quando possível, preferível à parenteral [nesse caso, a sonda leva substâncias direto para a circulação, driblando o sistema digestivo]. Em alguns casos, ambas podem ser combinadas numa tentativa de desmamar o paciente do uso exclusivo de nutrição parenteral. Em outras situações, a nutrição enteral pode acontecer em conjunto com a ingestão normal de alimentos e o uso de suplementos. O ponto é que a abordagem terá de ser sempre individualizada. 

Fonte:

https://saude.abril.com.br/medicina/ja-ouviu-falar-em-intestino-curto/

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