Apendicite: quais são as causas, como tratar e identificar a doença

Postado: 09/09/2019

O apêndice é uma parte do seu corpo para o qual a ciência ainda não encontrou explicação para a sua existência e, segundo os médicos, ele está em vias de extinção. Apesar disso, quando esse órgão tem um problema, é imediatamente alçado ao topo da lista das cirurgias de emergência mais comuns no mundo inteiro.

A inflamação do apêndice, também conhecida como apendicite, só foi descrita na literatura médica de forma detalhada em 1886. De lá para cá, tem-se observado que a enfermidade pode afetar 1 em cada 500 pessoas a cada ano, especialmente os jovens. Entre as crianças, 4 em cada 1.000 têm o apêndice retirado antes dos 14 anos. Uma particularidade dessa inflamação é que seus sintomas são muito parecidos com os de outras doenças, o que pode confundir e até atrasar o diagnóstico. O problema é que ela pode evoluir rapidamente e, caso não seja tratada, trazer grande complicações e colocar em risco a sua vida.

O que causa apendicite? 

Imagine o dedo de uma luva. O apêndice é mais ou menos assim: tem o formato de tubo e é definido como um órgão linfático (ele produz células de defesa na infância). 

Localizado entre a junção do intestino grosso com o delgado, é considerado um acessório do intestino que vai se atrofiando ao longo do desenvolvimento do corpo. Ao tornar-se mais estreito, ele pode ser obstruído por material fecal, como uma pedra de cocô endurecido (fecalito), alimentos não digeridos e corpos estranhos. É aí que ele inflama.

A obstrução também pode ocorrer por uma torção no órgão ou ainda por: 

- Bactérias do intestino; 

- Adenovírus (rubéola, sarampo, mononucleose); 

- Fungos e parasitas (Enterobius vermicularis e Ascaris lumbricoides);

- Pólipos; 

- Cálculos biliares; 

- Semente (melancia, pipoca etc.).

Quem está mais suscetível 

A apendicite pode se manifestar em qualquer idade. Contudo, em quase 90% dos casos, os pacientes têm entre 10 e 30 anos. 

Quais os sintomas da apendicite? 

A dor aguda, isto é, aquela que aparece de repente, é o sinal mais comum da inflamação do apêndice, mas isso pode variar de pessoa a pessoa. 

Nos primeiros momentos da enfermidade, você poderá notar também os seguintes sintomas:

- Dor em cólicas - geralmente mais localizada na boca do estômago (região epigástrica);

- Dor difusa - acomete toda a região abdominal; 

- Enjoo; 

- Náuseas e vômitos; 

- Perda de apetite; 

- Febre (abaixo de 38 °C); 

- Prisão de ventre ou diarreia Barriga distendida.

A dor poderá se direcionar para o lado direito inferior da barriga, perto da região da virilha (inguinal). Mas não só. "Como o apêndice é um órgão móvel, ele pode se movimentar em direção à parede anterior do abdome, à parte posterior do rim, da pelve e até do fígado. Nesses casos, o incômodo é sentido nessas regiões. Por isso, no passado, dizia-se que a apendicite era a doença das mil faces", conta Carlos Walter Sobrado, professor de gastrocirurgia do HCFMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e titular da FBG (Federação Brasileira de Gastroenterologia).

Quando procurar ajuda? 

Ao notar um mal-estar na região abdominal que não passa em poucas horas, procure um médico, especialmente se você for um adulto jovem. 

O risco de esperar muito tempo para buscar ajuda médica é que a doença pode avançar rapidamente e provocar a perfuração do órgão. Como ele tem comunicação direta com o intestino, há possibilidade de vazamento de fezes para dentro do abdome (peritonite), e ainda pode haver acúmulo de pus (abcesso); obstrução intestinal (aderência); fístula, sepse e até risco de morte.

Como é feito o diagnóstico? 

Na maioria dos casos - 7 em cada 10 deles, basta que o médico ouça a história do paciente para conhecer seu estado de saúde e faça o exame físico para descobrir que se trata de apendicite. 

Uma particularidade do exame físico é a palpação do abdome para identificar o chamado sinal de Blumberg. Trata-se de um sinal médico caracterizado por dor ou piora dela após a compressão da barriga na parte lateral direita inferior.

Nos casos em que sejam necessários exames complementares, hemograma completo e ultrassom, por serem mais acessíveis e mais rápidos, podem ser solicitados. Como a dor abdominal pode ter outras causas, o melhor exame para confirmar o diagnóstico é a tomografia abdominal. Entre as mulheres, por exemplo, a dor pode se relacionar a algum cisto de ovário ou infecção de trompas, e a tomografia permite eliminar essa hipótese, entre outras.

Como é o tratamento da apendicite 

A solução é sempre a retirada do apêndice, o que se faz por meio cirúrgico. As técnicas disponíveis são a laparotomia (corte) e videolaparoscopia, menos invasiva. Neste último caso, a internação é de 24 horas e o retorno às atividades acontece após três ou quatro dias, com liberação para exercícios físicos mais intensos depois de 15 dias. 

Na hipótese da apendicite ser mais avançada, quatro a dez dias é o tempo esperado para estada no hospital, isso em razão da terapia com antibióticos.

O problema pode ser tratado sem cirurgia?

Sim. O tratamento pode ser clínico, ou seja, medicamentoso, ocasião em que se fará uso de antibióticos. "A alternativa, porém, é considerada exceção, dadas as altas taxas de falha (três em cada dez pacientes). Nos casos de sucesso, no prazo de um a três anos a pessoa tende a ter outra crise", afirma Adonis Nasr, professor de cirurgia gastrointestinal da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná) e da UFPR (Universidade Federal do Paraná).

Má alimentação causa apendicite? 

Até o momento os cientistas não conseguiram provar que a apendicite tenha relação com a dieta. Mas há ainda uma dúvida entre os médicos sobre o consumo de sementes como as de uva, cuja ingestão aumenta, especialmente nos meses mais quentes, quando também ocorrem mais casos de apendicite. 

É possível prevenir a apendicite? 

Não existem recomendações que sejam capazes de prevenir a manifestação da apendicite aguda. 

Contudo, na prática do dia a dia, o que os médicos observam é que pessoas que têm hábitos de vida saudáveis, isso é, adotam dieta equilibrada e rica em fibras (frutas e verduras), praticam exercícios, controlam o peso e ainda estão de olho nas práticas de higiene alimentar e corporal possuem menor risco de ter doenças gastrointestinais e, portanto, são menos afetadas pelo problema. 

Como muitas pessoas, por necessidade ou hábito, fazem suas refeições fora de casa e ainda há falhas no saneamento básico em várias regiões do Brasil, o risco do consumo de alimentos e bebidas contaminados é alto. Converse com seu médico sobre a possibilidade/necessidade de tomar medicamentos contra vermes e parasitas, ao menos uma vez a cada ano.

Fonte:

https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/08/13/apendicite-o-que-e-causas-sintomas-e-como-tratar-o-problema.htm

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